Indie Game – The Movie

Indie Game – The Movie é um documentário/drama sobre a “trindade” dos jogos independentes e as mentes, nem sempre compreendidas, por trás deles: Braid (Jonathan Blow), Super Meat Boy (Edmund McMillen e Tommy Refenes) e FEZ (Phil Fish). O filme foca no lado humano do processo criativo e na conexão entre criador e criatura.

Os três jogos aparecem em fases distintas, enquanto Braid já havia sido lançado e com um grande sucesso de crítica, Super Meat Boy estava nos estágios finais antes do lançamento, enquanto FEZ, naquela época, ainda parecia ser uma incógnita.

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Jonathan Blow aparece no filme quase como um coadjuvante, após o lançamento de Braid (2008). O jogo que foi um marco no cenário indie e aclamado pela crítica, surgiu após Jonathan passar quase 20 anos tentando criar seu próprio jogo, e entre protótipos e jogos inacabados, em uma troca de e-mails com seus amigos, nasceu a ideia de “rebobinar” o tempo, inspirado no jogo Prince of Persia: The Sands of Time. Apesar do sucesso, Blow não aceitou muito bem as críticas, principalmente as positivas, pois segundo ele, as pessoas tiveram uma compressão superficial do jogo.

Quando você trabalha por muito tempo em algo tão complexo, há a esperança de que as pessoas vão entender o que você fez, e que você terá uma linha de comunicação com o seu público. (Jonathan Blow)

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Tommy Refenes e Edmund McMillien, respectivamente, programador e designer, de Super Meat Boy, nos trazem um jogo estilo plataforma, inspirado nos jogos que eles jogavam na infância, estrelado por um carismático menino sem pele. Edmund explica que isso é uma metáfora para expressar como ele se sentia exposto e que pequenas coisas poderiam feri-lo. Isso também pode ser visto na namorada do Meat Boy, a Bandage Girl, uma personagem feita de curativos que o completa, que o protege. Enquanto McMillien parece calmo e aliviado com a entrega do jogo, Refenes parece um cão atrás de um carro em movimento, e quando consegue enfim alcançar o carro fica perdido, sem saber o que fazer. E a única coisa que consegue lhe trazer um sorriso após o lançamento e os milhões em vendas, são vídeos de pessoas jogando (e “xingando”) o jogo.

Toda a minha carreira tem sido tentar encontrar novas maneiras de me comunicar com pessoas, porque eu preciso desesperadamente me comunicar com pessoas, mas eu não quero toda a bagunça de fazer amigos e falar com pessoas, porque provavelmente eu não gostaria delas. (Edmund McMillen)

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Phil Fish é, com certeza, o mais perturbado entre eles. FEZ recebeu o prêmio de excelência em arte visual, no Independent Game Festival (IGF) de 2008, porém nos três anos que seguiram o prêmio, Fish quase perdeu o pai por causa de leucemia, perdeu a namorada e o sócio, e em “compensação”, ganhou uma dor de cabeça devido aos direitos autorais sobre o jogo. Não bastasse esses infortúnios, a comunidade ficou muito empolgada com o jogo após o prêmio e com isso vieram as cobranças, com as quais Phil não soube lidar muito bem. Ele chega a dizer que se mataria caso não terminasse o jogo e que é isso o que o motivava a terminá-lo. E todo esse egocentrismo, acaba por ofuscar as pessoas ao seu redor, há um programador trabalhando com ele desde o inicio, porém este é pouco mencionado, levando pouco ou nenhum crédito sobre o projeto.

Pra mim, jogos são a forma de arte máxima. É simplesmente a mídia máxima. É a soma de toda mídia expressiva da história em forma interativa. Como isso não é… SENSACIONAL! Eu quero ser parte disso. (Phil Fish)

Ironicamente, todos eles se isolaram socialmente na busca de uma forma de se comunicar com alguém. E quando houve o tal contato não foi, em sua maioria, o esperado. Isso, na verdade, não é nenhuma novidade, vemos isso em quase todos os meios artísticos. Outro ponto a ser levantado é que os três jogos tiveram suas mecânicas definidas e desenvolvidas logo nas primeiras semanas, mas a meticulosidade e perfeccionismo dos desenvolvedores em criar as fases e polir o jogo despendeu um bom tempo.

Tive a oportunidade de jogar os três jogos, consegui terminar Braid, achei as mecânicas e puzzles bem complexos e elaborados, mas confesso que não entendi toda a sua profundidade, desculpa Jonathan. Super Meat Boy merece os parabéns por seu game design, porém achei-o muito hardcore, caso não tenha jogado ainda fica uma dica, afaste objetos frágeis da sala. Em contrapartida FEZ criou muita expectativa e apesar da beleza da mistura do 3D com pixel art, achei o jogo um tanto lento e não tive paciência de jogar por mais de 30 minutos. Não tiro o mérito de nenhum deles, afinal são obras de arte, sentimentos em forma de entretenimento, porém cada jogador irá ver através de sua ótica, levando em consideração seu tempo, suas memórias, enfim, suas próprias histórias.

E você, já assistiu? O que achou?

  • Eduardo Brugnago

    Já tinha assistido, mas boa coisa se perdeu na minha memória hahaha (tenho esse mal…) Mas o q me lembro bem de quando assisti foi que achei todos muito excêntricos (dããã jura? hahaha)… E isso me plantou a pulguinha atrás da orelha: “Todos q trabalham nesse meio precisam ser assim? Precisam ter esses problemas? Precisam ser pessoas q farão algo bom, e mesmo assim não ficarão satisfeitas, mesmo de ter realizado se sonho? Afinal, qual era o verdadeiro sonho dessas pessoas, criar o jogo ou *se comunicar*? E se era se comunicar, q tipo de mensagem queria passar???” Hahahaha Enfim, p nao me alongar na reflexão, deixo aqui uma recomendação, outro filme MUITO bom sobre esse “universo indie”

    Ótimo texto! 😉

    • Maicon Feldhaus

      Também fico na dúvida sobre a mensagem que esse filme quer passar, achei um tanto estereotipado o perfil dos desenvolvedores. Acredito que dá para criar jogos e se comunicar com o público de forma divertida. E obrigado pela dica, assim que possível vou dar uma olhada nesse documentário da Mojang.